CARNAVAL MILIONÁRIO OU ÁGUA NO SERTÃO? O DILEMA DAS PRIORIDADES EM CATOLÉ DO ROCHA PB

Catolé do Rocha (PB) – 24 de novembro de 2025

Enquanto o Sertão paraibano enfrenta uma das piores estiagens dos últimos anos, com açudes secos, rebanhos morrendo de sede e pecuaristas em desespero, a gestão do prefeito Laurinho Maia (União Brasil) já começa a planejar o Carnaval 2026. Tradicionalmente um dos mais badalados do interior da Paraíba, o evento costuma custar milhões aos cofres públicos — em anos anteriores, apenas uma atração principal chegou a consumir R$ 300 mil, e edições recentes trouxeram artistas como Felipe Amorim, Lambasaia e Michelle Andrade com orçamentos robustos, financiados por emendas parlamentares e recursos municipais.

 

Mas, em meio à seca que castiga a região, a pergunta que ecoa nas propriedades rurais e nas conversas da cidade é inevitável: o que deveria ser prioridade para a Prefeitura — contratar atrações caras para a folia de 2026 ou investir urgentemente em políticas públicas que aliviem o sofrimento dos pecuaristas locais com a falta d’água?

 

A realidade no campo é dramática. Catolé do Rocha integra a microrregião do Sertão paraibano onde a seca grave predomina, conforme monitoramento por satélite recente. Pecuaristas relatam a dificuldade de sustentar seus animais por desnutrição e desidratação, algumas pastagens queimadas e a necessidade, para alguns, até de comprar água cara de carros-pipa. Em outubro deste ano, a Cagepa precisou implantar subadutoras emergenciais na cidade para evitar o desabastecimento urbano — inclusive, alguns moradores já relataram a falta de água constante em alguns bairros ao nosso blog —imagine então a situação nas comunidades rurais, onde o poder público muitas vezes chega apenas com promessas.

 

Programas como perfuração de poços profundos, construção de barragens, dessalinizadores ou distribuição subsidiada de ração e água poderiam fazer uma diferença imediata para centenas de famílias que vivem da pecuária leiteira e de corte, importante atividade econômica da região depois do comércio.

 

Do outro lado, defensores do Carnaval argumentam que a festa movimenta a economia local, gera empregos temporários, atrai turistas e coloca Catolé do Rocha no mapa cultural do Nordeste. “É o maior e melhor carnaval da Paraíba”, costumam repetir os anúncios oficiais. Mas, com o município ainda se recuperando dos impactos da estiagem prolongada de 2025, muitos moradores questionam se o momento é de “pão ou circo”.

Até o momento, a Prefeitura de Laurinho Maia anunciou algumas contratações específicas para o Carnaval 2026. No entanto, o histórico da gestão mostra que os anúncios antecipados (às vezes com mais de um ano de antecedência) e os gastos elevados são marca registrada.

 

A população de Catolé do Rocha merece debater: em tempos de seca severa, o dinheiro público deve bancar o luxo da folia ou combater a sede no campo? Ou seria possível conciliar os dois, destinando parte dos recursos festivos para ações emergenciais contra a estiagem?

 

O que você acha, leitor? A prioridade deveria ser o Carnaval milionário ou o alívio imediato aos pecuaristas que perdem tudo com a falta d’água? O debate está aberto — e a seca não espera.

 

Redação: catoleonline

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