A Justiça Federal decidiu manter a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, rejeitou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa e afirmou que a detenção é necessária para impedir a continuidade de possíveis práticas ilícitas.
Segundo a magistrada, as investigações apontam “fraude sistêmica” e tentativas de obstrução à fiscalização, o que representaria risco à ordem pública e econômica caso Vorcaro fosse solto. O banqueiro foi preso na segunda-feira (17) durante operação da Polícia Federal, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar para o exterior.
O decreto de prisão cita indícios de gestão fraudulenta e atuação em organização criminosa. Para a desembargadora, os elementos reunidos indicam que o grupo investigado permanecia ativo, justificando a necessidade de manter a custódia. “A interrupção dos atos criminosos faz-se imperiosa. A liberdade do paciente, neste cenário de fraude sistêmica e obstrução da fiscalização, representa risco concreto”, afirmou.
A decisão também destaca a existência de um esquema complexo, com envio de informações falsas ao Banco Central e criação de narrativas consideradas enganosas. Esses fatores, somados ao poder econômico de Vorcaro, reforçariam o risco de novas práticas lesivas ao sistema financeiro.
A investigação da Polícia Federal aponta ainda que o Banco de Brasília (BRB) teria feito operações inconsistentes com o Master numa tentativa de sustentar a instituição enquanto o Banco Central analisava a proposta de compra apresentada em março. O negócio acabou vetado pelo BC.
Por Rodrigo Silva (@rodrigosilvaon)