Anunciada com pompa em janeiro de 2024 pela Prefeitura Municipal de Catolé do Rocha (PMCR), a parceria com o Governo do Estado da Paraíba e o Consórcio Público de Desenvolvimento Sustentável do Médio Piranhas (CODEMP) para a construção de um novo matadouro público parece ter sido relegada ao esquecimento. Quase dois anos se passaram desde a notificação da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) que exigia a desativação do antigo equipamento por falta de condições ambientais, e até o momento, não há sinais concretos de avanço. Essa inércia da gestão municipal levanta questionamentos sérios sobre a priorização de demandas essenciais para a sociedade, especialmente para o setor agropecuário e os pecuaristas locais, que continuam a sofrer com a precariedade do sistema atual.
O prefeito, na época do anúncio, enfatizou o crescimento urbano de Catolé do Rocha e a necessidade de respeitar moradores e trabalhadores afetados pelo antigo matadouro. No entanto, as palavras não se traduziram em ações. Sem atualizações oficiais no site da prefeitura ou em canais de comunicação do governo, a parceria prometida permanece como uma mera intenção, deixando um vácuo que impacta diretamente a economia local. Pecuaristas e produtores rurais, pilares da agroindústria na região do Médio Piranhas, enfrentam dificuldades logísticas e sanitárias para o abate de animais, o que eleva custos, compromete a qualidade da carne fornecida à população e expõe riscos à saúde pública – exatamente os problemas que a Sudema destacou em seu ofício.
Essa falta de prioridade reflete uma gestão que parece desconectada das necessidades do campo. Enquanto a cidade cresce, como bem apontado pelo prefeito, o setor agropecuário, responsável por uma fatia significativa da renda municipal através da pecuária de corte e leite, é deixado à mercê de instalações obsoletas e irregulares. Relatos de produtores indicam que o matadouro atual opera em condições precárias, com impactos ambientais que afetam rios e comunidades próximas, violando normas vigentes. Onde está o compromisso com a sustentabilidade prometida? Por que a parceria não avançou, apesar do apoio estadual e do consórcio regional?
Críticos, incluindo pré-candidatos locais como o Dr. Jarques, têm usado essa paralisia como bandeira eleitoral, prometendo lutar pelo novo matadouro como uma “questão de saúde pública”. Além disso, sessões legislativas recentes, como a de setembro de 2025 na Câmara Municipal, revelam pressões de promotores públicos impondo prazos curtos para soluções, o que só reforça a negligência acumulada. A sociedade agropecuária de Catolé do Rocha merece mais do que promessas vazias: precisa de investimentos reais que garantam abate humanizado, conformidade ambiental e estímulo à economia local.
É hora de a gestão municipal prestar contas e acelerar o processo. Do contrário, o que era para ser uma melhoria constante, como alardeado pela PMCR, torna-se um símbolo de ineficiência, prejudicando não só os pecuaristas, mas toda a cadeia produtiva que sustenta a cidade. A população espera ações, não mais ofícios ou anúncios sem seguimento.
Texto: Catolé Online