A Saga do Abandono: O Esporte em Catolé do Rocha Entre a Inércia e o Talento Solitário.

Catolé do Rocha, a “Princesa do Sertão”, é terra de gente resiliente e de talentos que brotam das poeiras dos campos de terra e das quadras desgastadas pelo tempo. No entanto, o que deveria ser um celeiro de cidadania e saúde transformou-se em uma “saga” de promessas não cumpridas e falta de incentivo real por parte do poder público.

O Estádio da Esperança (e da Espera) Enquanto cidades vizinhas avançam com centros de treinamento e calendários esportivos robustos, o desportista catoleense sobrevive de “teimosia”. A infraestrutura esportiva do município, embora receba reformas pontuais em anos eleitorais, padece de uma manutenção crônica. Ginásios que custaram fortunas aos cofres públicos muitas vezes permanecem de portas fechadas ou operam em condições precárias, sem iluminação adequada ou segurança.

O Atleta “Pires na Mão”

A cena é comum: atletas locais de destaque em modalidades como o futsal, o atletismo e as artes marciais precisam recorrer a “vaquinhas” virtuais ou pedir doações no comércio local para representar o nome de Catolé em competições estaduais e nacionais. Onde está o Fundo Municipal de Esporte? Onde estão os editais de patrocínio que garantam que o talento não seja barrado pela falta de uma passagem de ônibus?

A falta de um Calendário Esportivo Anual deixa as associações e clubes à mercê de favores políticos. O esporte em Catolé do Rocha não pode ser tratado como um “puxadinho” da Secretaria de Cultura ou uma moeda de troca; ele é, acima de tudo, uma ferramenta de prevenção à criminalidade e de inclusão social.

Além do Futebol

A miopia do poder público também se reflete na monocultura esportiva. Enquanto o futebol (ainda que precário) recebe os poucos holofotes, modalidades olímpicas e o esporte amador nos sítios e comunidades rurais são relegados ao esquecimento. Jovens da periferia, que poderiam encontrar no esporte um caminho de disciplina e futuro, encontram apenas quadras de areia batida e a ausência de instrutores remunerados pelo município.

O Que Falta?

Não falta dinheiro — as emendas parlamentares e os repasses federais chegam. O que falta é gestão técnica e sensibilidade política. É necessário que o Conselho Municipal de Esportes saia do papel e que a prefeitura entenda que investir em uma bola e um par de chuteiras é economizar em leitos de hospital e em segurança pública.

Até que o esporte seja tratado como política de Estado, e não como caridade de governo, os atletas de Catolé do Rocha continuarão vencendo seus maiores adversários antes mesmo de entrar em campo: o descaso e a invisibilidade.

Redação: @catoleonline

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